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MANEJO OSTREÍCOLA

Ordenamento da produção da ostra de mangue Crassostrea brasiliana no estuário de Cananéia


O município de Cananéia integra o Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-SP, Cananéia-SP e Paranaguá-PR. A região é rica em moluscos, principalmente na ostra de mangue Crassostrea brasiliana, cujos bancos naturais situam-se desde a porção norte da Ilha de Cananéia, adentrando a região contígua de Paranaguá, no Estado do Paraná.

Até recentemente, a exploração comercial dos bancos naturais de ostras era exercida de modo desordenado, por famílias tradicionais, que obtinham um preço muito baixo pela produção, ocorrendo uma forte dependência dos atravessadores que dominavam a comercialização. Atualmente, a iniciativa de ordenamento começa a mudar este panorama.

Em 1993, o Instituto de Pesca, a Secretaria do Meio Ambiente/SP e a Colônia de Pescadores de Cananéia elaboraram o diagnóstico “Viabilidade da ostreicultura e criação de outros bivalves marinhos na região de Cananéia”, propondo a introdução da “engorda de ostras”, como alternativa para os extratores tradicionais da região. A engorda é uma atividade intermediária entre o extrativismo e a criação, em que se retira a ostra do manguezal no tamanho mínimo permitido pela legislação e coloca-se em viveiros tipo “tabuleiro”, até que os organismos atinjam o tamanho comercial, em cerca de 4 a 6 meses. A partir de 1994, teve início um projeto piloto de engorda de ostras junto ao bairro Mandira. A grupo adaptou-se bem à atividade, auxiliando na sua difusão a outras comunidades.

Em 1995, foi aprovado junto ao Programa de Execução Descentralizada-PED/MMA/BIRD, o Projeto “Uso sustentável do complexo estuarino-lagunar de Iguape, Cananéia e Ilha Comprida” o qual propunha o subprojeto “Manejo de bancos naturais de ostras (engorda), depuração e comercialização”. Este subprojeto teve o Instituto de Pesca-SAA/SP como co-executor, propondo a expansão a criação de ostras junto a 25 famílias de extratores, a construção de uma Estação Depuradora comunitária e um apoio inicial à organização comunitária e comercialização. Ao final da vigência do projeto PED, parte dos extratores da região encontravam-se trabalhando na engorda, a obra da Estação Depuradora estava iniciada, com todos os equipamentos comprados e a Cooperativa dos Produtores de Ostras de Cananéia, juridicamente constituída.

Expirado o prazo de vigência do Programa PED, o projeto passou a contar com o apoio financeiro da empresa SHELL do Brasil, durante os anos de 1998 e 1999. A Estação Depuradora foi inaugurada em maio de 1999, mas começou a funcionar apenas em dezembro do mesmo ano. Nesta ocasião, a Cooperativa dos Produtores de Ostras de Cananéia – COOPEROSTRA já estava estruturada.

A partir de julho de 1999, o projeto passou a contar com o apoio do Programa PD/A – Projetos Demonstrativos tipo A, do Ministério do Meio Ambiente, através de um financiamento paralelo, de cunho ambientalista, à Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Bairro Mandira. Desta forma, o Projeto Ostra de Cananéia conta, neste momento, com o subsídio de alguns custos. As despesas operacionais (remuneração de cooperados, pagamento de insumos, combustível, tarifas de energia elétrica, telefone, recursos para a distribuição do produto, etc), no entanto, devem necessariamente ser custeadas com recursos oriundos da comercialização do produto. O fator “comercialização” é, portanto, o ponto principal para o êxito da iniciativa.

Dados de produção

No ano de 1997 foi realizado um cadastramento de extratores de recursos do manguezal na região, no qual levantou-se a produção de ostras. O resultado, mostra uma produção recorde de mais de 500 ton de ostras comercializadas no ano em questão, exclusivamente proveniente do extrativismo.

A partir de 1998, verificou-se uma queda na produção de ostra em Cananéia em relação aos números encontrados no ano anterior. Esta queda foi associada às alterações climáticas severas, ocorridas em função do fenômeno “el niño” e ao desaquecimento do mercado “clandestino”, pela exigência de registro no SIF.

A partir de abril de 1999, o Projeto Pesca Sul Paulista do Centro de Pesquisa Pesqueira do Instituto de Pesca/SAA-SP, passou a incluir no trabalho de estatística pesqueira, os dados referentes à produção de ostras de Cananéia. Estima-se que a produção mensal de ostras destinadas à venda “na casca” (vivas) no ano de 1999 esteja em torno de 37.600 dúzias e a produção total em torno de 450.000 dúzias (315 toneladas), sendo cerca de 70% ainda provenientes do extrativismo e 30% da atividade de criação. A este total deve-se somar o volume de ostras que ainda é comercializado sob a forma “desmariscada” ou “limpa”, devendo a produção total de 1999 aproximar-se de 400 toneladas.

A implantação do cultivo integral

A atividade de engorda foi introduzida junto aos produtores de ostras de Cananéia como uma etapa preliminar ao cultivo integral. Como se trata de uma espécie nativa, em que o próprio ambiente proporciona as sementes, a prática do cultivo integral envolve o acréscimo da etapa de captação de sementes, uma vez que a tecnologia de engorda já se encontra dominada. Apesar da aparente facilidade, a introdução desta etapa aumenta o ciclo produtivo de cerca de 6 meses (engorda) para quase 2 anos, além de envolver um criterioso monitoramento para determinação do pico de assentamento de sementes, sendo uma atividade estranha ao universo dos pescadores tradicionais.


Recentemente, o Instituto de Pesca viabilizou um treinamento na tecnologia de captação de sementes em substratos artificiais para os membros da Cooperostra. Este treinamento consiste no primeiro passo para a introdução do cultivo integral. Apesar disso, sabemos que esta transição é lenta e provavelmente nunca será completa, devendo as atividades de extrativismo, engorda e cultivo na região conviverem permanentemente na região.

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