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MARICULTURA

Cultivo de Peixes

no Litoral Sul do Estado de São Paulo



No Complexo Estuarino-lagunar de Iguape-Ilha Comprida-Cananéia, SP, cujos atributos faunísticos, em variedade e abundância, são comparáveis aos existentes nos principais ecossistemas preservados do país e do mundo, a exploração pela pesca tem sido até o momento, à exceção da ostreicultura, a única forma de uso dos recursos naturais renováveis aquáticos.

No entanto, se uma boa política de exploração dos recursos vivos do Complexo deve começar pelo gerenciamento da pesca comercial e pela busca de mecanismos que amparem a pesca artesanal, a essas providências tal política, para ser consistente, não deve ficar restrita. Existem possibilidades reais de expansão da produção pesqueira pela maricultura.

Para tanto, os registros sobre o cultivo de ostras atualmente praticado no interior de antigas comunidades de extratores da região, podem servir de parâmetro às mudanças desejadas no perfil da exploração de outros recursos marinhos, como os peixes.

A questão que surge é como integrar um programa de cultivo de peixes às formas já existentes de exploração do ambiente, ainda mais quando os sistemas para a produção cultivada das espécies não estão totalmente consolidados pela pesquisa. Por outro lado, ainda se tem muito trabalho a fazer até que prospere a idéia de que a introdução de técnicas de cultivo de peixes pode significar uma contrapartida inteligente às maneiras tradicionais de exploração dos recursos já existentes. E melhor, uma ação paralela que irá somar produção, ampliar mercado e aumentar o retorno econômico da atividade pesqueira regional.

Buscando atender a essa necessidade de criar alternativas à pesca extrativista, um dos desafios do Núcleo de Pesca e Aqüicultura de Cananéia e o objetivo do "Programa para a Implantação de Cultivo de Peixes no Litoral Sul do Estado de São Paulo", é consolidar e difundir tecnologia de cultivo de espécies de peixe que sejam importantes nas pescarias das populações tradicionais do litoral sul paulista.

Para tanto, se vem desenvolvendo a seguinte estratégia metodológica:

  • identificar, na região, as espécies de peixe exploradas com a finalidade comercial e as restritas à subsistência;
  • mapear os locais de ocorrência dessas espécies e os locais atualmente explorados;
  • quantificar a produção de peixes na área, as modalidades de captura praticadas e os agentes envolvidos;
  • conhecer as características favoráveis ao manejo que essas espécies apresentem, para tentar definir parâmetros técnicos de cultivo (manejo de reprodutores, protocolos de indução à desova, crioconservação de gametas, produção de larvas e alevinos), que possibilitem uma nova modalidade de exploração de recursos ictiícos no litoral sul do Estado;
  • sugerir o uso planejado de áreas segundo suas aptidões naturais e sócio-econômicas, de forma a indicar: áreas a serem preservadas, manejadas e com potencial de cultivo.

Até o momento, se vem estudando a tainha (Mugil platanus) e o robalo (Centropomus parallelus), duas espécies consideradas indicadas, obtendo-se os seguintes resultados:

  • protocolo de manejo de reprodutores provindos de ambiente natural,
  • crioconservação do sêmen,
  • reprodução induzida, e
  • produção de larvas.

Foram definidas, ainda, características reprodutivas como época e tipo de desova, curva de maturação, estádios gonadais e relações morfofisiológicas, taxas de fertilização com uso de sêmen fresco e crioconservado. Além disso, pesquisas em produção de organismos-alimento têm sido desenvolvidas, visando a alimentação de larvas, eliminando-se um dos principais obstáculos à sobrevivência e ao crescimento dos indivíduos na larvicultura.

Como metas futuras para a tainha e o robalo, o Instituto de Pesca espera realizar pesquisas sobre:

  • manejo de reprodutores em ambiente controlado,
  • crescimento de alevinos até a idade adulta, e
  • sistemas de criação economicamente viáveis.

Para se atingir essas metas uma parceria com o PEIC (Parque Estadual da Ilha do Cardoso), da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, está sendo proposta visando ao uso das instalações na Ilha, como laboratórios e tanques de cultivo.

Principais Parceiros

Para consolidar as informações hoje disponíveis sobre a biologia e o cultivo de peixes no Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Ilha Comprida-Cananéia, o Instituto de Pesca contou com a colaboração de pesquisadores do Instituto Oceanográfico (da USP), e da Universidade Federal de São Carlos.


Tais pesquisas foram apoiadas, na forma de auxílio financeiro, por instituições de fomento à pesquisa como a CIRM (Comissão Interministerial para os Recursos do Mar), o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Deve-se registrar o importante papel desempenhado pelos pescadores artesanais da comunidade, que a partir do conhecimento sobre locais e épocas de ocorrência das espécies, foi determinante para que exemplares das duas espécies estudadas pudessem ser capturados.

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